diabetes e coronavírus
O monitoramento da glicose no sangue é fundamental para os portadores de diabetes evitarem as complicações potencialmente graves da doença. Foto: CDC/Amanda Mills

Altos níveis de glicose no sangue podem agravar a COVID-19

Pesquisadores brasileiros da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desvendaram a razão pela qual os pacientes com diabetes estão entre aqueles que progridem para as formas mais graves da COVID-19. O estudo, em fase de revisão por pares na publicação científica Cell Metabolism, constatou que quanto mais elevado o nível de glicose no sangue, mais grave é a infecção pelo novo coronavírus.

Para combater as infecções, o corpo humano conta com um sistema imunológico composto por vários tipos de células. Os monócitos estão entre as chamadas células brancas do sangue que combatem vírus e bactérias. Ao infectar uma pessoa, o coronavírus penetra nas células humanas para se multiplicar. Os pesquisadores observaram uma grande quantidade de monócitos e macrófagos nos pulmões de pacientes graves com COVID-19 e, após exames laboratoriais, constataram o aumento no metabolismo da glicose por estas células de defesa.

Em seguida, o grupo de pesquisadores fez uma série de ensaios com monócitos infectados pelo coronavírus, cultivados em diferentes concentrações de glicose. "Quanto maior a concentração de glicose no monócito, mais o vírus se replicava e mais as células de defesa produziam moléculas responsáveis pela inflamação", afirmou o coordenador do estudo, Pedro Moraes-Vieira. O resultado verificado em laboratório pelos pesquisadores brasileiros é traduzido em pacientes reais como o fenômeno da tempestade de citocinas, uma resposta exagerada do sistema imunológico a um agente infeccioso que pode provocar lesões graves nos órgãos e até levar à morte.

Além de confirmar o papel da glicose como potencializadora da multiplicação do coronavírus no corpo humano, os pesquisadores testaram o efeito de dois medicamentos e antioxidantes contra essa infecção. Tantos os medicamentos 2-DG e 3-PO, quanto os antioxidantes, foram capazes de parar a replicação do coronavírus dentro das células de defesa que, consequentemente, também pararam de produzir as moléculas que desencadeiam a resposta inflamatória exagerada do organismo.

Os pesquisadores acreditam que essa descoberta da relação entre altos níveis de glicose e a resposta inflamatória pode ter um grande potencial no desenvolvimento de medicamentos para combater o novo coronavírus.